quinta-feira, 14 de março de 2013


Quando vê tá aí, chegou.
Quando vê já foi, passou.
E quando vê o passatempo vira vício,
o amuleto preferido é esquecido.
Quando vê, tem um fio de cabelo branco,
uma gordurinha indesejável em algum lugar.
Ou então, de repente, tu já não vê,
não vê com tanta frequência,
com tanta facilidade.
Quando vê, tu nem sente mais falta,
não sente mais falta de coisas pelas quais outrora tu chorou.
Quando vê o álcool não é mais nada,
quando vê tu nem faria nada diferente,
quando vê tu percebe o lado bom de todas as situações.
E quando vê tu aprecia mais tua casa,
tu aprende que família é família,
que os amigos acabam sendo sempre os mesmos
e que é o orgulho que te faz não ter pra onde correr.
Quando vê,
tu põe o pé no freio,
tu desacelera teu coração.
Quando vê, tu vê.
tu vê beleza na simplicidade,
vê quão breve podem ser as más situações.
E desvenda o tempo,
e descobre que tempo é na verdade nada,
tempo é, na verdade, aqui.
Quando vê, tu descobre que ver de nada vale,
o que vale de fato é sentir.
E, quando vê, tu fecha os olhos.
E, sem ver,
Sente com tamanha intensidade que chegou a duvidar que existiria.

sábado, 9 de março de 2013


Tu tens nos olhos um brilho que me acalma
E que apaga o que quer que tenha acontecido de ruim entre nós.
Trazes na voz uma melodia aconchegante,
Uma familiaridade tão bonita que me enche o peito de bem-estar.
E me faz tão bem estar contigo, em qualquer lugar.
Que um segundo me vale feito hora,
E um sorriso me vale mais que ouro.
E eu, sendo data comemorativa ou não,
Te desejo todo bem, todo o amor.
Pois és nada menos do que o que me faz forte,
Do que o que me torna capaz.
Capaz de carregar toda dor do mundo nas costas,
Toda saudade existente nos ombros.
E, por ti,
Faria, faço e farei muito mais.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Que os meus lábios, ao tocar os teus, transmitam a doçura do mundo que a rotina nos permite esquecer, e que meu corpo, ao aproximar-se de ti, oferte-lhe a ideia de entrega que vai além da matéria e do compreensível.
Pois espero poder fazer-te sentir aquilo que nunca tivestes a oportunidade.
Quero proporcionar-te calafrios, dúvidas, saudades, e o alívio para todos estes males.
Espero ser tua loucura, tua imprudência, tua insensatez. E também tua calma, teu porto seguro, tua fé.
Quero que creia cegamente em minhas palavras, não procure por mensagens nas entrelinhas, pontos fora do lugar.
Por vezes, espero que me repreendas, alerte-me, aponte o meu melhor.
E não cale, fale. Mas fale suave, jeitoso, mantendo a afeição.
É que quero. Ser. Ter.
Por completo, sem objeção alguma.
Quero ter-te tanto quanto tua sou. Mesma parcela, mesmo ritmo.
Quero-nos.
Juntos. Tão juntos quanto um.
Mesmos caminhos e, enfim, na mesma direção.

A falta


Acompanha-me a insaciedade. 
Algo me falta. Falta-me alguém.
Faltam teus olhos penetrados nos meus enquanto teu corpo retira-se devagar,
E teu riso ao ver meu franzir de sobrancelhas pela manhã, minha luta contra o fechar dos olhos na madrugada.
Minutos atrás faltou teu sermão, quando acendi meu quarto cigarro. E no quarto faltou teu aroma, tua organização.
Na festa passada faltou tua insensatez, sobrou bebida por faltar tua presença.
No almoço de domingo faltou o churrasco, faltavam motivos para celebrar.
Quando peguei o ônibus faltou o toque discreto e ardente das tuas mãos,
Quando liguei na novela faltou teu discurso contra tal.
E faltou as horas aprenderem a tiquetaquear mais depressa,
as semanas organizarem-se para que passem sem serem vistas.
Faltou tanto, um bocado de coisas. 
Coisas tão simples que falta aprenderem a falta que faz.
Mas, em meio a tanta falta, há amor de sobra. 
Sorrio, certa disso 
Então, adormeço bem.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Incondicional


Desliguei o telefone já aos prantos, olhei para o lado e ali estava ela, a me observar. Agarrei-me a seus braços com força ímpar. Sentia-me feito quando era criança, caía um tombo feio e, em meio ao desespero, mal sabia explicar que parte doía.
Se há alguém nesse mundo capaz de entender-me melhor do que ele, esse alguém é ela.
Se há alguém nesse mundo capaz de perdoar-me mais vezes do que ele, esse alguém é ela.
Se há amor nesse mundo que eu tenha mais certeza que possuo do que o dele, esse amor é o dela.
 E ninguém mais poderia acalmar-me nesse momento do que a figura maternal.
Usou contra mim – melhor dizendo, a meu favor – minhas próprias palavras. “Lembro que certa manhã me falastes das mudanças da vida, logo ela muda novamente, e acaba tudo no seu devido lugar.” E eu sorri. Após longos minutos sem pronunciar uma palavra ou esboçar um meio sorriso sequer, eu sorri.
E sorri de coração, sorri por acreditar, sorri por estar em paz.
Meu desespero era em vão, eu bem sabia. As coisas, enfim, estavam tomando o seu lugar.
Aos poucos consegui larga-la. Ela, carinhosamente, secou minhas lágrimas e beijou minha face avermelhada.
Nesse instante percebi que, dos meus dois grandes amores, um sempre ficará para trás. Que, para ter a presença de um é preciso abrir mão da presença do outro.
Foi minha vez de observá-la.
Minha dor causa nela tristeza maior que a distância é capaz de causar.
Ela preparou-me para o mundo. Moldou-me, sem saber, para ele.
E eu vou, eu o sigo.
E o sigo levando-a no peito, grata por ter-me feito da forma exata que o agrada.
Vou, deixando uma parte de mim, carregando uma parte dela.
Vou amar. Incondicionalmente. Por causa e apesar de.
Como ela me ensinou.

domingo, 18 de novembro de 2012


Como quando quebramos algo e o estrago torna-se irreversível, vejo-nos assim.
Porém, tratando-se de algo que nos inspira afeto, é quase que impossível livrarmo-nos do objeto danificado, e seguimos.
É visível que já não somos os mesmos.
Carregamos os cacos do relacionamento em uma sacola apertada junto ao peito. Machuca, sangra, mas não abrimos mão.
Fomos tanto e esse tanto já foi tão belo que não conseguimos admitir que jamais voltaremos a forma original.
Houve tantas falhas, tantos tropeços, que, aos poucos, fomos lascando o amor até que este se tornasse apenas lembrança. Lembrança tão doce que nos permitimos viver nela.
Talvez fosse tempo de adquirirmos força para jogar os restos no lixo e pormos o lixo para fora.
Talvez fosse tempo de seguirmos apenas com o funcional, com o que permanece intacto.
 Contudo, quando as ações necessárias envolvem libertar um ao outro e desvincular nossos nomes e vidas, nossos esforços são inexistentes.
Habituamo-nos assim, com o menos, com o incompleto. E acabamos por esquecer que merecemos desfrutar do mais. Mais do que podemos ofertar um ao outro.

sábado, 10 de novembro de 2012


O desespero bate à porta. Não só abro como o deixo entrar.
Não me sinto merecedora de ti, de nós,
Porém, sem tua presença, admito não saber o que fazer.
Reviro as gavetas procurando por algo que nem sei o que é ou se existe,
Tomo um banho atrás do outro esperando que a calma me encontre, que eu me reencontre.
Tudo têm sido tão em vão, tão por ser e sem motivos.
Mas não paro, sabendo que a pausa é o que trará a queda.
Sigo trôpega e cambaleante,
Incompleta, dolorida e ferida.
E se sinto o marejar dos olhos convenço-me de que foi a brisa que os deixou assim,
Repito em voz alta que a alma permanece intacta,
Firme, forte,
Mesmo que o sentir diga o oposto.
Oposto.
Acontece que cada palavra me traz tua imagem, tua lembrança.
Que oposto de mim nada mais era do que tu
E não sei se devo me referir a ti no passado, presente ou futuro.
Na verdade, não sei de mais absolutamente nada.
Sei que um dia é só mais um dia enquanto tudo segue dessa forma,
Enquanto sigo vivenciando uma história que não possui princípio, meio ou fim.