terça-feira, 30 de agosto de 2011

Leva

Neblina baixa, clima denso.
Fim de mês, mais um fim de mês.
Montes de problemas, ausência de soluções.
Saudade.
Tanta saudade.
Sorriso perdido, mente perdida.
Velho amor desperdiçado, agora vê.
Falta. Falta algo.
Vem a brisa. Brisa não, vento.
E o vento leva, derruba, destrói.
Não há chance, nem volta.
Foi.
Reconstrução.
Atira-se, tenta.
Desiste.
Sozinha não, sozinha não dá.
Procura pelos olhos.
Olhos azuis, olhos profundos.
Procura por garrafas.
Garrafas nas mãos, garrafas quebradas por fúria.
Não há nada.
Lembra de tanto.
Sente ódio, carinho, compaixão e desprezo!
Sente tanto. Sente tudo.
Tanto por ter deixado tudo ir.
Sente tanto por não ter contido o vento.
Já é tarde.
Gosto de sal, vem dos olhos.
Não dos azuis, mas dos seus olhos.
Volta ano.
Volta, amor.
Já é tarde.
Não há tempo.
Fecha os olhos, pra que sequem.
Leva vento. Leva-me vento.
Pra lá, pra longe.
Mas pra perto dos olhos. Daqueles olhos azuis.

sábado, 27 de agosto de 2011

O encontro não foi planejado, nunca era

Havia algumas centenas de pessoas e eles.
Mais uma vez, eles.
Não poderiam, não deveriam, mas do acaso saiam faíscas.
Evitaram o quanto puderam.
Evitaram o ‘olá’, as ligações, o contato, até mesmo que os olhares se cruzassem.
Evitaram o quanto puderam, mas em determinado ponto não quiseram mais fazê-lo.
Iniciaram uma conversa. Uma inocente conversa.
Em meio à conversa os corpos gritavam, os sinais falavam mais do que as vozes. O desejo pesava.
Muita gente, muito barulho.
Saíram.
Reiniciaram a conversa em um novo lugar.
Assim é mais fácil, menos luz, menos gente, mais calor.
Não poderia, não deveriam, mas queriam tanto.
Nada ali era relacionado ao amor.
Na verdade ele disse que a odiava. Ela sorriu e pediu que ele repetisse. A frase não soava com fúria, era sussurrada. Era sussurrada quantas vezes ela pedisse que fosse. Ela pediu tantas vezes quanto quis ouvir, para gravar bem.
E no mais, ele não mentiu. Mentiu apenas quando ela pediu que ele o fizesse, não antes nem depois.
Ele era um tanto quanto obediente, porém o que fazia sem que ela pedisse também a agradava.
Ele sabia agradar.
E ela dizia que o odiava. E ele sorria todas as vezes em que ela dizia.
Ele pediu que ela não fizesse mais aquilo, ela disse que faria, ele hesitou e concordou.
Não havia algo que ele desejasse mais do que aqueles momentos, a presença dela em meio ao clima de aventura.
“Não me ofereça mais cafés, não me ofereça mais carinhos.” – Era o que ele dizia, sem convicção alguma.
“Da próxima trago cervejas.” – Agora sim, convicção, certeza.
Um tanto quanto desesperado ele sorria, assentia e esperava.
Apenas esperava, pois nunca sabiam quando seria “a próxima”.
Não marcavam.
Até porque não poderiam, não deveriam. Mas se o acaso queria tanto...

“Oh that boy's a slag, the best you ever had. ♪ ”

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pra quem nunca vai ler.

Não é carência nem solidão, hoje tive a prova de que se trata mesmo de saudade.
Eu vinha sorrindo, por nada e por tudo. Fazia sol e a brisa agradava.
Eu via sinais de um belo dia, foi então que escureceu.
Tuas lembranças arruinaram tudo.
É saudade, da pior que pode haver.
Te desejei por perto, para conversar, sorrir, brincar. Não para brigar. Brigas eu evitaria.
Lembro que no começo eu disse que evitaria. No começo eu tinha certeza que te amava. Agora tenho tal certeza novamente.
Aliás, tenho tantas certezas.
E tive tantas dúvidas. Dúvidas em momentos inadequados, indesejados. Fosse hoje... Hoje eu me ajoelharia aos teus pés, me privaria de tanta coisa, e pouco me importaria com o resto. Mas me preocuparia. Contigo, com mais nada, com mais ninguém.
Temeria. Temeria te perder, e mais nada, temeria por mais ninguém.
Como as coisas mudam. O jogo vira. Tudo se vai.
Mas espero que tu venhas. Uma hora terá de vir.
Não faço ideia de qual será a minha, a tua reação quando nos encontrarmos por aqui.
E se eu disser que eu quero ir embora, largar tudo, deixar a minha pra viver a tua, a nossa vida?
Se eu disser que a cada instante teu nome rodeia minha mente e que mesmo distante sigo teus passos, calculo teus atos?
Se eu disser que já não sou eu longe de ti, que perdi toda minha essência, toda minha vivacidade, toda a minha alegria?
Se eu disser, se eu te disser, que te amo desde o instante que te vi, em frente ao bar, com a lata na mão, com o amigo ao lado, com o sorriso no rosto, nos dias tranquilos ou presa no trânsito, mudaria algo?
Ainda há tempo para mudar algo?
Seria capaz de retomar, de refazer?
Eu espero. Espero ansiosamente que tu venhas.
Espero porque... Porque eu “te conheço!”
Te conheço e confio em ti, acredito em ti, acredito em nós.
E ainda não deixei tudo para trás.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Quantos perdões se devem dar? (21/06/11)

Havia se passado tanto tempo. Do passado não trazia boas lembranças.
Ele a machucara demais, a apunhalara pelas costas não uma, nem duas, mas diversas vezes.
Aquela era apenas mais uma vez que ele a acusava. Acusações inescrupulosas, vindas sabe-se lá de onde. Ela preferia pensar que não vinha do peito. Racionalmente talvez ele planejasse tudo, mas ela mantinha em si a certeza de que ele a amava.
Ele havia a gerado e agora, postados um em cada lado daquela mesa estranha, observados por tantos, ela percebia pela primeira vez que nada sabiam um sobre o outro. Talvez o nome, a cidade por onde andavam e só.
Quantas noites os olhos dela marejados procuraram a primeira estrela do céu. Disseram que se pode fazer pedidos. E ela pediu. Pediu por ele. Tantas, quantas vezes! Pediu que ele se interessasse, se arrependesse, fosse o que nunca foi.
A verdade, nunca antes assumida, é que ela sentia falta.
Ao vê-lo nada mais queria do que carinho, aconchego. Apesar do tempo que havia se passado ela nada mais era do que uma menina. Meninas esquecem, relevam.
Incrível, tanta mágoa não foi capaz de acabar com sua capacidade de perdoar.
E ele, poderia mudar?
Ela estaria disposta a arriscar, mais uma vez.

Seda (20/06/11)

Senti tanta saudade.
De lugares, pessoas, da vida que levava um tempo atrás.
Acredito que senti saudade até de coisas que não vivi.
Havia tantos incentivos, estímulos.
Até mesmo discussões me impulsionavam.
A canção me diz que “saudade é felicidade futura, abafada”.
Não cabe a mim saber do futuro, mas no presente sei que dói, corrói e maltrata.
Saudade é falta. E falta alguma me faz bem.
Me falta a amizade, o aconchego, a companhia.
Me faltam as carícias, os sabores, os aromas.
Me faltam os sons, as vozes, as palavras.
É, me faltam as palavras.
E a saudade vem, de forma tão intensa que eu não lembrava ser capaz.

Faltava algo, a peça chave (16/06/11)

Ao olhar parecia completo, mas sabia-se que faltava a peça principal do quebra-cabeça.
Sentia-se a ausência do doce ou do tempero, da pureza ou do pecado.
Mantinha-se muito comum, indiferente.
Havia cautela para que não transparecesse vulgaridade ou santidade, um equilíbrio que incomodava.
Não era hora de medidas, mas de excesso.
Que abusasse então, fosse disso ou daquilo, mas abusasse.
Era preciso destaque. Era preciso lembranças.
Não podia cair no esquecimento. Não podia apagar.
E faltava tão pouco para que a luz não pudesse mais ser vista...
Seus atos e passos já eram extremamente calculáveis. Não havia por vir, apenas uma sequência de repetições: os mesmos gestos, mesmas falas, mesmas reações.
Não havia surpresas.
Mas, por dentro, havia tanta inquietação.
Como, quando e onde tudo se perdeu?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Datas (12/06/11)

São sempre as datas reavivando lembranças e pessoas que já partiram, remoendo dores, reaparecendo com arrependimentos. E são sempre as mesmas questionações: quais seriam as consequências se seus atos houvessem sido outros? Estaria só?
Seria tempo de comemoração, não para todos, mas para eles. Relevariam o que no outro causa irritação e sorririam.
Sorririam fizesse sol ou chuva, houvesse trânsito ou não, se ou locais estivessem lotados ou vazios.
Sorririam.
Sorririam pelo simples fato de o dia de hoje ser mais um marco em suas vidas, mais uma página de sua história. Página esta que não seria virada, mas conservada, com cuidado e zelo jamais antes visto. Ficaria ali, exposta. Eles permaneceriam. Permaneceriam apaixonados após cada discussão ou resbalão, após cada música, cada lágrima, cada abraço. Permaneceriam igualmente apaixonados e encantariam fosse qualquer um.
Transbordariam amor, pelos olhos, pelas palavras e pelos atos.
Seria.
Seria uma data de comemoração e poderiam eles ter escrito belas linhas, mas não o fizeram.
Antes do tempo, ela tomou a decisão. Decisão errada. Adeus.
E essa noite, que seria de sorrisos, ela chorou, como há tempos não fazia.
Pudesse voltar... ela não sabe se voltaria.