sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Nós

Acontece que eu te sinto tão meu que não sei mais nos separar. Não sei quem tu és, não sei quem sou, sei quem somos.
Acontece que eu te sinto tão em mim que te amo, te odeio, te olho no espelho e me vejo, me olho no espelho e te vejo.
Acontece que me sinto tão tua que falo apenas sobre ti, que te falo sem palavras, que me entrego por inteira.
Abraço não há, pois não encontro forma de me abraçar.
Beijo não há, pois não encontro forma de me beijar.
Presença não há, pois não encontro forma de me encontrar.
E somos tanto, que palavra alguma pode explicar.
Somos tão pouco que nem o silêncio pode contar.
Somos tudo, somos nada.
Não sou eu, não é você, somos nós, e só.
Nós aqui, nós aí, nós em todo e qualquer lugar. No cheiro, no sentir, na falta de saber.
Somos pele, somos carne, somos o que mesmo?
Ah é! Somos o tal do amor.


Eu até citaria nomes, mas é totalmente desnecessário.
(e mudei essa "parte final" porque, pra falar bem a verdade, adoro um subentendimento.)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sentir

Os olhos falavam mais do que as canções poderiam dizer e o desejo da aproximação era camuflado pelos poucos metros que os separavam.
Conheciam-se tão bem, mesmo não sabendo disso.
Ela o respeitava, escutava frase que sabia não ser verdade, mas nada falava.
Ele a queria, insistia tratar-se de físico, enquanto o seu coração a chamava incessantemente.
Pouco a pouco os segredos desfaziam-se e a distância diminuía. Apesar de tudo ambos sabiam que só queriam permanecer ali, lado a lado.
Ela seria a parte que sente, ele a que pensa. E nesse equilíbrio, parcialmente perfeito, as mãos não haveriam de querer se soltar.
E se o destino é o inferno, pois bem, eu os vejo irem juntos.
Ela o abraçou, sem perceber que era exatamente o que ele precisava naquele momento, e ele sorriu, sem saber que seu sorriso a completava por inteiro.
Aquele momento chamou-se então "felicidade".
E o receio de envolver-se deu lugar à vontade de ficar.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Alguém

Continuaria a falar sobre ti durante horas, caso o sono não me impedisse.
Descreveria em detalhes a forma estranha, porém mágica, como nossos lábios tocaram-se pela primeira vez.
Falaria sobre cada um dos inúmeros calafrios sentidos e quase que faria com que o leitor pudesse provar do aroma e sabor da tua pele.
Sim, eu contaria cada um dos detalhes mais sórdidos e confidentes, sem vergonha ou receio, pois o que foi vivido somente a nós caberia julgar em proporções reais.
Ah, caso o sono não me impedisse eu causaria inveja contando quão minha tu és ou a forma como grita meu nome e suplica que eu não me demore.
Eu faria louco por ti o mais são dos seres apenas contando-lhe exatamente como tu és, da forma que conheço.
Pois poderia eu fazer-te dona do mundo, bastaria contar a todos a capacidade que tens de modificar por completo a vida de quem te encontra, de quem te encontra para perder-se, pois és encantadora e única, pequena.
E eu o faria, caso o sono me permitisse, mas por mais esta noite, devido à presença demasiada do dito cujo, será dona apenas do meu peito e com exclusividade, que confesso adorar, habitará apenas os meus sonhos, sabe-se lá até que noite..

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Oi

Re-amar e reencontrar,
reencontrar a calma, a paz, o motivo,
e mesmo sem motivo, sorrir.
Sorrir de tudo e de nada,
das pedras, da estrada.
Estrada esta que me leva sempre ao mesmo lugar,
lugar aquele em que te ví, nos vimos.
Deixa então passar o dia, quiçá parar o tempo.
Deixa ser, acontecer.
Acontece que a gente sempre esquece
que logo chega a hora de partir.
Mas na distância sinto a presença,
no silêncio ouço tua voz,
e as palavras que até mim chegam
trazem mais do que simples dizeres,
vêm carregadas de sentimento
e são capazes de encurtar distância.
Encurtam distância e aumentam o desejo,
desejo que me consome,
que num mesmo instante me faz querer morrer
e pra sempre viver.
Pois não há medida, não há controle,
mas também não há desespero.
Espera há.
E na espera, sem cansaço, sem desistência,
se espera encontrar, se encontrar.
Faça-se então o tempo,
tempo este que nem sei contar,
mas que corra, venha, vá,
que chegue em algum lugar.
E junto com a brisa vejo teu rosto,
sinto tua pele, toco teu lábio.
Lábio teu, que agora é meu.
E nem houve tempo para lástimas,
te vejo voltar.
A espera acaba, a distância se desfaz
e saudade já não faz parte do nosso vocabulário.
Agora te tenho, meu bem,
e tu me tens.
Me tens por longo tempo,
tempo eterno.
Nos temos e só.
Não precisamos de mais ninguém.
É privilégio,
privilégio de quem sabe amar.

domingo, 22 de agosto de 2010

Desencontros

Pelo caminho hão de se encontrar,
Então os olhos dirão tudo o que a boca cala
E que o coração insiste em sentir.
Enfim, tudo no seu devido lugar.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Confusão

Na minha desgraça a razão de meu sorriso e na falta de tempo o excesso dele me apavora.
Não saber explicar outrora me incomodava, hoje me prova a intensidade.
Certo dia ouvi dizer que a recusa seria a maior fonte de inspiração. A mim cabe pensar que o que inspira é a falta de credulidade no não, a utopia.
E toda situação, melhor dita como confusão, me tornou nefelibata. Há certo tempo já não toco o chão. Como? Através da mistura de aromas, sons e formas. Através da sinceridade que se fez no silêncio, pelos olhos.
Otimismo nunca foi meu forte, porém hoje não me abandona. Involuntariamente me acompanha, me toma a mão e pronuncia teu nome.
Não me permito provar do temor, menos ainda pensar em desistir.

Mãe

Pouco importa meu vazio ou então se não vejo mais cores, o simples ato de ouvir teu riso me realiza por completo. Então esqueço o passado e esnobo o futuro, passo a querer apenas viver o aqui, o agora.
Desvendar aos poucos o que há tempos já poderia ter sido desvendado. Desvendar a tua felicidade e trazê-la à tona sem razão, sem motivos maiores, trazê-la por trazer.
Agora é noite e não sinto a necessidade de sonhar. Tê-la aqui, no quarto ao lado, faz com que tudo, absolutamente tudo, se torne desnecessário.
Esquecemos então as desavenças, esquecemos que minhas opiniões se postam em local oposto às suas, esquecemos a dor que já causamos uma à outra, as palavras superficiais jogadas feito pedras na direção contrária.
Deixemos apenas o que de bom há em nós se expressar nesse momento. Sem cerimônias, etiqueta ou normas, me permito apenas deitar no teu colo e desfrutar daquilo que conheço por 'amor'. Porque hoje, após muito tempo, meu sorriso foi inteiramente espontâneo e toda essa verdade extrema que hoje em dia pode ser vista em mim fez-se através de ti.
Hoje voltei a ser quem eu era, quem eu sempre fui. E digo, sem sacrifício, que eu te amo.